O X utiliza códigos em links copiados de publicações que podem indicar o método de compartilhamento e ajudar a relacionar diferentes endereços. A informação ganhou destaque após a circulação de um alerta viral nesta quinta-feira (29), mas a alegação de que a rede social identifica automaticamente todos os destinatários e leitores vai além das evidências disponíveis.
Os parâmetros presentes nos endereços são reais e já haviam sido documentados em 2022, antes da mudança de controle da plataforma. Portanto, não há evidências de que esse mecanismo tenha sido criado recentemente. Entender como ele funciona ajuda a separar os riscos de rastreamento confirmados das hipóteses que ainda não foram comprovadas.
Quais códigos aparecem nos links do X?
O parâmetro s= pode indicar a origem ou o método usado para copiar um endereço. Uma análise de um arquivo JavaScript do antigo Twitter identificou diferentes valores associados aos aplicativos e à versão web da plataforma.
Entre os códigos documentados estão:
- s=19: associado à cópia de links pelo aplicativo para Android;
- s=20: relacionado à cópia de links pela versão web do X;
- s=46: associado à cópia de links pelo aplicativo para iPhone.
Esses valores fornecem informações sobre a forma de compartilhamento, mas não revelam, por si só, o nome de quem copiou o endereço ou a identidade de quem recebeu a mensagem. Outros códigos também podem existir, com significados que dependem da versão do aplicativo e do método utilizado.
O parâmetro t= pode identificar usuários?
Além do código s=, alguns links do X contêm o parâmetro t=, seguido por uma sequência de caracteres. Em uma análise divulgada em novembro de 2022, o pesquisador Ryan Benson observou que esse valor podia permanecer igual em diferentes links copiados de um mesmo dispositivo durante determinado período.
Esse comportamento levanta a possibilidade de relacionar compartilhamentos feitos em condições semelhantes. No entanto, a permanência do código não demonstra que ele exponha publicamente uma conta ou permita identificar cada pessoa que acessa uma publicação.
O X não detalhou oficialmente a composição desse parâmetro. Por isso, afirmar que ele identifica automaticamente todos os destinatários de um link seria extrapolar o que as análises disponíveis demonstram.
O X consegue saber quem abriu um link?
A plataforma informa em sua documentação de privacidade que coleta dados sobre interações com links, além de informações de cookies e registros de acesso. O serviço de encurtamento t.co também contabiliza cliques, o que permite à empresa obter informações sobre acessos aos endereços processados pelo sistema.
Essas práticas mostram que o rastreamento de acessos faz parte do funcionamento da plataforma. Entretanto, não comprovam a alegação de que os parâmetros adicionados aos links copiados permitam descobrir automaticamente quem recebeu uma publicação pelo WhatsApp ou identificar todas as pessoas que abriram o endereço.
Uma reportagem da Cybernews publicada em 29 de outubro abordou os possíveis riscos desse mecanismo. A associação do parâmetro t= à identidade dos usuários, porém, foi tratada como uma hipótese, e não como uma capacidade comprovada.
Assim, é importante distinguir duas situações: o registro de cliques e de interações, que a plataforma reconhece realizar, e a identificação individual de todos os destinatários ou leitores, que não foi demonstrada publicamente por meio desses códigos.
Como remover os parâmetros de rastreamento
Quem deseja compartilhar um link do X sem os códigos adicionais pode editar o endereço antes de enviá-lo. Em links diretos de publicações, basta remover o ponto de interrogação e tudo o que vier depois dele, desde que o endereço principal permaneça intacto.
Veja um exemplo ilustrativo:
- Link com parâmetros: https://x.com/usuario/status/1234567890123456789?s=46&t=exemplo
- Link sem parâmetros: https://x.com/usuario/status/1234567890123456789
O endereço sem os códigos continua direcionando à publicação. Dessa forma, os parâmetros removidos deixam de acompanhar aquele link compartilhado.
Essa medida, contudo, não garante anonimato. Quando alguém acessa o X, a plataforma ainda pode coletar informações por outros mecanismos, conforme suas práticas de privacidade e registro de acessos.
Remover os códigos garante privacidade?
A limpeza do endereço reduz a quantidade de informações de compartilhamento transmitidas por meio daqueles parâmetros específicos, mas não elimina todas as formas de rastreamento. Também não impede necessariamente que o serviço registre um clique ou outras interações realizadas dentro da plataforma.
A recomendação é válida para links diretos de publicações do X. Em outros sites, parâmetros após o ponto de interrogação podem ser necessários para identificar uma página, preservar uma sessão ou executar determinada ação. Por isso, removê-los indiscriminadamente pode fazer com que alguns endereços deixem de funcionar corretamente.
Também é importante não confundir esses códigos com o rastreamento da localização física de um celular. São questões distintas, que envolvem mecanismos diferentes.
Em resumo, os códigos presentes nos links do X são reais e podem fornecer pistas sobre a origem de um compartilhamento. O que não está comprovado é que eles permitam identificar automaticamente todas as pessoas que recebem ou abrem uma publicação. Remover os parâmetros antes de compartilhar o endereço é uma medida simples, mas não substitui outros cuidados com a privacidade digital.
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