O mês de agosto é dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno por meio da campanha Agosto Dourado, que neste ano traz como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. A iniciativa busca incentivar o aleitamento materno, ampliar o acesso à informação e fortalecer os serviços de apoio às mães desde o pré-natal até o período pós-parto.
Durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno, celebrada entre os dias 1º e 7 de agosto, profissionais da saúde reforçam a necessidade de ampliar ações que garantam às mulheres atendimento qualificado, ambientes acolhedores e uma rede de apoio eficiente para que consigam amamentar com segurança.
Em Lucas do Rio Verde, a nutricionista da rede pública municipal de saúde, Janaina Woicichosky, especialista em Nutrição Materno-Infantil e Aleitamento Materno, destaca que a campanha deste ano evidencia algo comprovado pela ciência: o leite materno continua sendo o alimento mais completo para o bebê.
Segundo ela, décadas de pesquisas confirmam que o aleitamento materno oferece todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil, fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de diversas doenças ao longo da vida e ainda proporciona benefícios para a mãe.
Rede de atendimento começa na Atenção Básica
Janaina explica que o trabalho desenvolvido nas Unidades Básicas de Saúde e no Banco de Leite Humano do Hospital São Lucas é complementar.
Enquanto a Atenção Primária atua principalmente na prevenção, orientação às gestantes e preparação para a amamentação, o Banco de Leite atende mães que enfrentam dificuldades após o parto, mulheres com bebês internados na UTI Neonatal e também aquelas interessadas em doar o excedente de leite.
O leite humano doado passa por rigoroso processo de análise, pasteurização e controle de qualidade antes de ser destinado exclusivamente aos recém-nascidos internados na unidade neonatal do hospital.
Sustentabilidade também faz parte da amamentação
Além dos ganhos para a saúde, a campanha deste ano chama atenção para outro aspecto importante: a sustentabilidade.
De acordo com a nutricionista, o leite materno é um alimento natural, renovável e sem impacto ambiental decorrente de processos industriais. Já as fórmulas infantis exigem fabricação, transporte e descarte de embalagens, aumentando a geração de resíduos.
Outro ponto destacado é o impacto financeiro para as famílias. Quando a amamentação é possível, o leite materno elimina gastos elevados com fórmulas infantis, que devem ser utilizadas apenas quando houver indicação clínica.
Ela ressalta ainda que estudos científicos apontam benefícios duradouros para crianças amamentadas, incluindo menor risco de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, além de melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo.
Mitos ainda dificultam a amamentação
Apesar dos avanços nas orientações, muitos mitos continuam presentes entre familiares e pessoas próximas da mãe.
Segundo Janaina, uma das principais dificuldades ocorre nas primeiras semanas após o parto, período em que a mulher enfrenta alterações hormonais, maior sensibilidade nas mamas e adaptações naturais do início da amamentação.
Ela afirma que inseguranças costumam surgir principalmente entre pais de primeira viagem e familiares que acreditam, por exemplo, que todo choro do bebê significa falta de leite.
Por isso, a especialista defende que toda a rede de apoio — incluindo companheiro, avós e demais familiares — também receba orientações, contribuindo para que a mãe tenha tranquilidade durante esse processo.
“Nem sempre a amamentação acontece de forma fácil logo nos primeiros dias. Com orientação adequada e acompanhamento profissional, a maioria das dificuldades pode ser superada”, explica.
Existem situações especiais
A nutricionista lembra que existem exceções em que a produção de leite pode ser reduzida ou comprometida.
Entre elas estão algumas alterações hormonais, como hipotireoidismo sem tratamento adequado, alterações anatômicas das mamas, cirurgias mamárias que afetem os ductos lactíferos e alguns casos de prematuridade extrema.
Nessas situações, o acompanhamento médico e multiprofissional torna-se fundamental para definir a melhor conduta para cada mãe e bebê.

Banco de Leite precisa de novas doadoras
Há cerca de três anos em funcionamento, o Banco de Leite Humano do Hospital São Lucas vem ampliando a cultura da doação em Lucas do Rio Verde, mas a necessidade por novas doadoras permanece constante.
O leite coletado é destinado aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal, principalmente prematuros extremos, que muitas vezes dependem desse alimento para aumentar as chances de recuperação e desenvolvimento.
Podem se tornar doadoras mulheres saudáveis que estejam amamentando e apresentem produção de leite acima da necessidade do próprio bebê.
Após o cadastro, a equipe do Banco de Leite fornece gratuitamente todo o material necessário para a coleta domiciliar, realiza exames, oferece orientações e faz o acompanhamento das doadoras, inclusive com visitas às residências quando necessário.
Procure ajuda
A orientação da especialista é que nenhuma mãe desista da amamentação diante das primeiras dificuldades.
Mulheres que sentirem dor, insegurança ou qualquer dificuldade para amamentar devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima ou o Banco de Leite Humano do Hospital São Lucas, onde recebem atendimento gratuito e especializado.
“O apoio no momento certo faz toda a diferença. A amamentação funciona, salva vidas, fortalece o vínculo entre mãe e filho e gera benefícios que acompanham a criança por toda a vida”, conclui a nutricionista.
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