A Justiça italiana adiou para 24 de novembro o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. O processo envolve a condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada ao episódio em que ela sacou uma arma e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo, em 2022.
A decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma após solicitação da defesa. Os advogados alegaram que não tiveram acesso à documentação enviada pelo governo brasileiro sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá ficar caso seja extraditada.
O pedido de extradição já havia sido autorizado em primeira instância na Itália. A defesa, no entanto, conseguiu que a Corte de Cassação determinasse a realização de um novo julgamento, diante da falta de informações sobre as condições do sistema prisional brasileiro. A análise estava prevista para esta terça-feira (27), mas foi transferida para novembro.
Segundo julgamento de extradição
Este é o segundo processo de extradição de Carla Zambelli analisado pela Justiça italiana. No caso anterior, relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a primeira instância também havia autorizado o envio da ex-deputada ao Brasil. A decisão foi posteriormente revertida pela Corte de Cassação, última instância recursal da Justiça italiana.
Na ocasião, os magistrados italianos mencionaram preocupações relacionadas à imparcialidade do julgamento brasileiro, especialmente quanto à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como relator do caso.
Em nota, o advogado Eduardo Maurício, representante de Zambelli, afirmou que a sessão marcada para esta terça-feira (27) não poderia ocorrer sem que a defesa tivesse acesso aos documentos encaminhados pelo Brasil. Segundo ele, a ausência dessas informações impediria o exercício do contraditório e da ampla defesa em relação às garantias de saúde da ex-parlamentar.
O advogado também criticou o sistema prisional brasileiro e declarou que a extradição equivaleria a colocar a vida de Zambelli em risco, por considerar as condições carcerárias desumanas e degradantes. A afirmação corresponde à posição apresentada pela defesa.
Condenações no Brasil
Em 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão por invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela foi apontada como responsável por liderar uma invasão aos sistemas do CNJ, realizada em 2022, para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes.
De acordo com a condenação, a ação tinha como objetivo desmoralizar o Poder Judiciário em meio à proximidade das eleições presidenciais daquele ano.
Também em 2025, Zambelli recebeu outra condenação do STF: cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O processo trata da perseguição ao jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, ocorrida poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Saída do Brasil e prisão na Itália
Após a primeira condenação, antes da expedição da ordem para o cumprimento da pena, Zambelli deixou o Brasil utilizando seu passaporte europeu. Ela seguiu inicialmente para os Estados Unidos e depois viajou para a Itália, onde solicitou refúgio alegando perseguição política.
A ex-deputada chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por meio de uma solicitação do governo brasileiro para que fosse extraditada. Depois que o primeiro pedido de extradição foi definitivamente negado, ela foi solta.
Atualmente, Zambelli permanece em Roma, aguardando a decisão sobre o segundo pedido de extradição. O julgamento foi remarcado para 24 de novembro, quando a Justiça italiana deverá dar continuidade à análise do caso.
Com informações da Agência Brasil.
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