Agronegócio de Mato Grosso amplia comercialização da soja e projeta safra recorde de milho, aponta Imea

Relatórios do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária destacam avanço nas vendas antecipadas, revisão positiva para a produção de milho, estabilidade no algodão e mudanças nos mercados da pecuária, leite, logística e exportações.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou uma nova série de levantamentos sobre o Valor Bruto da Produção (VBP), comercialização, oferta e demanda das principais cadeias produtivas de Mato Grosso.

Os relatórios apontam um cenário favorável para o agronegócio estadual, impulsionado pelo avanço das vendas da soja, aumento da estimativa da safra de milho, desempenho consistente das exportações e mudanças importantes nos segmentos da pecuária, leite e logística.

No cenário econômico, o dólar encerrou a última semana cotado, em média, a R$ 5,14, registrando queda de 0,77% em relação à semana anterior. A valorização do real foi favorecida pela divulgação da inflação brasileira abaixo das expectativas do mercado.

Paralelamente, o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã elevou as cotações internacionais do petróleo, movimento considerado positivo para países exportadores da commodity, como o Brasil.

Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reforçaram esse ambiente. Em junho, a inflação oficial ficou em 0,16%, acumulando 4,64% nos últimos 12 meses. O destaque foi a queda de 0,24% no grupo Alimentação e Bebidas, interrompendo uma sequência de seis meses de altas.

No mercado internacional, o déficit da balança comercial norte-americana cresceu 42% em maio, impulsionado pelo aumento das importações de veículos, equipamentos de informática e insumos industriais, além da valorização do petróleo provocada pelas tensões no Estreito de Ormuz.

Soja mantém ritmo acelerado de comercialização

A comercialização da safra de soja 2025/26 em Mato Grosso alcançou 87,68% da produção estimada, avanço de 6,64 pontos percentuais em relação ao mês anterior e desempenho superior ao registrado no mesmo período da safra passada.

Segundo o Imea, o movimento foi impulsionado pelos preços mais atrativos da oleaginosa e pela demanda aquecida no mercado. Para a safra 2026/27, as negociações antecipadas já atingem 23,33% da produção prevista, sustentadas pelo aumento de 1,5% no preço médio da saca.

Milho tem produção revisada para mais de 57 milhões de toneladas

As condições climáticas favoráveis durante o ciclo da segunda safra levaram o Imea a revisar para cima a produtividade do milho em Mato Grosso.

A estimativa passou para 128,64 sacas por hectare, crescimento de 6,95% em relação ao levantamento anterior. Com a manutenção da área cultivada em 7,39 milhões de hectares, a produção estadual foi projetada em 57,06 milhões de toneladas, volume 6,95% superior ao previsto anteriormente e 2,92% maior que a safra passada.

Algodão mantém área, mas produção será menor

Para o algodão, o instituto manteve a estimativa de 1,38 milhão de hectares cultivados na safra 2025/26, área 11,11% inferior à temporada anterior.

Apesar das chuvas registradas nas últimas semanas, não houve impactos significativos sobre o potencial produtivo. A produtividade foi revisada para 310,67 arrobas por hectare, mas, devido à redução da área plantada, a produção de algodão em caroço deverá alcançar 6,41 milhões de toneladas, representando queda de 12,38% em relação à safra anterior.

Pecuária registra menor rebanho de fêmeas em mais de uma década

A atualização cadastral realizada pelo Indea apontou que Mato Grosso possui atualmente 31,12 milhões de cabeças de bovinos, redução anual de 1,62%.

O destaque ficou para a queda de 2,52% no número de fêmeas, que totalizam 12,14 milhões de cabeças, o menor efetivo desde 2014. Segundo a análise, o resultado reflete o intenso descarte de matrizes registrado nos últimos ciclos pecuários, reduzindo a oferta de bezerros e fortalecendo o mercado de reposição.

Suinocultura e avicultura ampliam volume de abates

Na suinocultura, Mato Grosso registrou o abate de 236,26 mil animais em junho, crescimento de 10,87% sobre maio. Os embarques interestaduais destinados ao abate também aumentaram 9,23%, com destaque para Mato Grosso do Sul, principal destino dos animais.

Na avicultura, foram encaminhadas 19,95 milhões de aves para abate, aumento de 5,08% no comparativo mensal. Em contrapartida, os envios interestaduais recuaram 16,97%, embora São Paulo continue sendo o principal mercado receptor.

Leite valoriza com redução da oferta

O preço pago ao produtor de leite em Mato Grosso atingiu R$ 2,13 por litro em maio, alta de 4,13% sobre o mês anterior.

Ao mesmo tempo, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) caiu para 42,04%, refletindo menor disponibilidade de matéria-prima no estado e aumento da concorrência entre as indústrias pela compra do produto.

Exportações de DDG batem recorde

Os embarques de DDG e DDGS, coprodutos da produção de etanol de milho, alcançaram 94,87 mil toneladas em junho, crescimento de 64,46% frente ao mês anterior.

No acumulado do primeiro semestre, Mato Grosso exportou 521,25 mil toneladas, volume 30,57% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado pela forte demanda internacional e pela menor absorção do mercado interno.

Fretes de grãos recuam

O transporte rodoviário de grãos apresentou redução na maior parte das principais rotas do estado. O movimento está relacionado ao aumento das operações voltadas ao mercado interno, diminuindo a procura por caminhões destinados aos portos.

Entre os destaques, o frete entre Diamantino e Rondonópolis ficou em média em R$ 158,87 por tonelada, queda de 1,93%, enquanto a rota Campo Novo do Parecis–Porto Velho registrou média de R$ 296,78 por tonelada, retração de 1,41%.

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