Leis estaduais e projetos escolares fortalecem a leitura de autores regionais em Mato Grosso

Normas estaduais ampliam o acesso aos livros e aproximam estudantes da literatura produzida em Mato Grosso.

O incentivo à leitura e a valorização de escritores regionais estão entre os objetivos de leis aprovadas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). As normas estabelecem medidas para ampliar o acesso aos livros, fortalecer bibliotecas e aproximar estudantes das obras produzidas por autores ligados à história e à cultura do estado.

As iniciativas ganham destaque no Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29). A legislação prevê ações permanentes de formação de leitores e incentivos à produção literária regional, tanto nas escolas quanto em outros espaços de acesso à cultura.

Plano estadual prevê acesso ampliado aos livros

A Lei nº 11.820/2022 instituiu o Plano Estadual do Livro, da Leitura, da Literatura e da Biblioteca. A medida orienta o planejamento e a execução de políticas voltadas à ampliação das oportunidades de leitura e ao fortalecimento dos espaços destinados aos livros.

Entre as metas estão a democratização do acesso às obras, o incentivo à produção científica e cultural de autores nascidos ou residentes no estado e a formação de mediadores de leitura. O plano também prevê medidas de acessibilidade para pessoas com deficiência e ações para fortalecer o mercado editorial regional.

Essas diretrizes buscam ampliar a presença dos livros na rotina da população e criar condições para que diferentes públicos tenham contato com a produção literária local.

Lei incentiva obras de escritores mato-grossenses nas escolas

Outra iniciativa é a Lei nº 11.419/2021, atualizada pela Lei nº 12.689/2024, que criou o Programa Estadual de Incentivo à Leitura de Livros de Autores Mato-grossenses. O objetivo é estimular a leitura de obras sobre História, Geografia, Literatura e Cultura produzidas por escritores ligados ao estado, nas redes pública e privada de ensino.

A legislação também prevê campanhas de valorização da literatura regional e a formação de acervos específicos nas bibliotecas escolares. A proposta é ampliar o contato dos estudantes com autores que retratam aspectos históricos, sociais e culturais da região.

Para os fins da lei, são considerados autores mato-grossenses tanto os nascidos no estado quanto os migrantes que vivem ou viveram na região e produziram livros de interesse para a sociedade local.

Professores aproximam alunos da literatura regional

A professora de Língua Portuguesa Núbia Marinho, que trabalha com turmas do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede estadual, defende maior reconhecimento da produção literária local. Para ela, muitas obras ainda precisam ser descobertas pelo público.

“É um ouro perdido que nós precisamos cavucar para mostrar sua riqueza”, afirma.

Em sala de aula, a docente apresenta frases marcantes de escritores regionais para estimular discussões e mostrar como as ideias dos autores podem contribuir para a elaboração de redações. Entre os nomes trabalhados está Dom Pedro Casaldáliga, conhecido também por reflexões sobre desigualdade social.

“Na dúvida, fique do lado dos pobres”, é uma das frases do religioso utilizadas nas atividades, segundo a professora. As aulas também incluem obras de Luciene Carvalho e Marta Cocco, escritoras que, na avaliação de Núbia, merecem maior reconhecimento pela qualidade de sua produção.

A estudante Julia Nodari Pozer, de 17 anos, explica que as atividades envolvem a leitura de trechos selecionados e debates coletivos. Os alunos apresentam opiniões e discutem as perspectivas dos escritores.

Para ela, conhecer esses autores ajuda a identificar pontos em comum entre as experiências retratadas nos livros e a realidade dos próprios estudantes. A proximidade geográfica e cultural também contribui para despertar o interesse pela leitura.

Livros regionais estimulam leitura e consciência ambiental

Na rede municipal de Cuiabá, a professora do ensino fundamental Elza Cardoso trabalha com obras de escritores regionais há dois anos. Ela considera que esse contato ajuda a preservar a cultura literária em um período no qual os celulares disputam a atenção das crianças.

Segundo a educadora, os alunos demonstram interesse especial pelas histórias quando reconhecem animais, paisagens e outros elementos presentes em seu cotidiano. A identificação com o ambiente em que vivem torna a leitura mais próxima da realidade das turmas.

O trabalho inclui atividades de leitura, escrita e ilustração. Após a leitura do livro Os bichos escrevem, por exemplo, as crianças produziram textos e desenhos imaginando o que os animais diriam se pudessem falar. Os trabalhos foram apresentados em uma mostra cultural.

Durante as atividades, apareceram preocupações com as queimadas no Pantanal e o sofrimento dos animais. Para a professora, essas produções mostram como a literatura pode despertar a sensibilidade das crianças para questões ambientais e estimular a expressão de ideias.

As experiências em sala de aula demonstram como a leitura de autores regionais pode contribuir para a formação de leitores, o desenvolvimento da escrita e o reconhecimento da cultura local. As leis estaduais estabelecem diretrizes para ampliar esse acesso e fortalecer a presença da literatura nas escolas.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.