Nesta quarta-feira, 14 de outubro, celebra-se o Dia Nacional da Pecuária, uma das atividades mais expressivas para o desenvolvimento econômico e social do Brasil e, em especial, de Mato Grosso.
Líder isolado no rebanho bovino nacional, o estado tem se consolidado como referência internacional não apenas pelo volume de produção, mas pela busca constante por eficiência, agregação de valor e sustentabilidade em toda a cadeia produtiva da carne.
Para analisar os desafios, as tendências de mercado e as perspectivas para o setor, Valdecir Francisco Pinto Júnior, analista de Gestão da Informação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), detalhou como o planejamento estratégico, o controle de custos e a tecnologia transformaram a pecuária mato-grossense em um modelo global.
A Força Econômica da Pecuária e a Dinâmica Regional
A pecuária de corte desempenha um papel impulsionador na economia do interior do estado. A atividade movimenta desde a contratação de mão de obra direta nas fazendas até uma extensa rede de negócios que abrange indústrias frigoríficas, transportadoras, leilões, casas veterinárias, empresas de nutrição e serviços de tecnologia.
Conforme destaca Valdecir, o diferencial de Mato Grosso reside no constante aperfeiçoamento dos sistemas de produção. O uso de biotecnologias reprodutivas, o manejo racional do pasto e a nutrição estratégica permitiram acelerar o ganho de peso e encurtar o ciclo dos animais, entregando um produto mais jovem, macio e alinhado ao consumo moderno.
Exigências Internacionais e Agregação de Valor
Com presença consolidada nos principais mercados mundiais, a carne bovina produzida em Mato Grosso passa por um rigoroso controle de qualidade e sanidade. As exigências dos compradores internacionais por sustentabilidade, rastreabilidade e respeito às normas socioambientais deixaram de ser diferenciais para se tornarem pré-requisitos essenciais de acesso comercial.
O Imac atua diretamente na promoção da carne mato-grossense no exterior, reforçando a imagem de um produto saudável, sustentável e seguro.
A integração entre genética, sanidade e sustentabilidade dentro da propriedade permite que os pecuaristas identifiquem oportunidades de bonificação em programas de qualidade de carcaça e garantam espaço nas prateleiras globais mais exigentes.
Gestão e Rentabilidade: Conhecer o Custo por Arroba
Frente às oscilações de preços dos insumos e da arroba do boi gordo, a rentabilidade da pecuária depende da gestão profissionalizada. De acordo com o analista do Imac, um dos erros mais comuns no campo é a falta de controle detalhado sobre os custos operacionais por animal ou por arroba produzida.
O produtor precisa acompanhar indicadores como taxa de lotação, ganho de peso diário, conversão alimentar e custos com sanidade e mão de obra. Conhecer o ponto de equilíbrio financeiro da propriedade é o que assegura margens positivas mesmo em cenários de mercado mais desafiadores.
Diversificação e Integração Lavoura-Pecuária
Outro avanço marcante na pecuária mato-grossense é a adoção dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A estratégia permite recuperar pastagens degradadas, maximizar o uso da terra ao longo do ano, diluir riscos financeiros e gerar novas fontes de renda para a propriedade.
A diversificação mostra-se viável tanto para pequenos quanto para grandes produtores, fortalecendo a segurança econômica da atividade e abrindo portas para o engajamento das novas gerações no processo de sucessão familiar rural.
Neste Dia Nacional da Pecuária, a mensagem para os produtores é de otimismo embasado em dados: a pecuária do futuro exige profissionalização, sustentabilidade e olhar atento à gestão financeira, garantindo que o setor continue a produzir alimentos de qualidade para o Brasil e o mundo.
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