ALMT aprova Cartão Material Escolar para beneficiar mais de 300 mil alunos em MT

Proposta aprovada pela Assembleia prevê auxílio para materiais escolares e incentivo às papelarias dos 142 municípios.

Mais de 300 mil estudantes da rede estadual de Mato Grosso poderão receber auxílio para comprar materiais escolares por meio do Cartão Material Escolar (CME). A proposta foi aprovada em segunda votação pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na quarta-feira (21) e agora depende de sanção do governo estadual.

O projeto também busca estimular a economia dos municípios, permitindo que as famílias comprem os produtos em papelarias e estabelecimentos credenciados. A previsão é alcançar estudantes de 630 escolas estaduais distribuídas pelas 142 cidades mato-grossenses.

Como funcionará o cartão escolar

O benefício está previsto no Projeto de Lei nº 18/2025, apresentado pelo deputado Thiago Silva (MDB), com coautoria do deputado Diego Guimarães (Republicanos). O modelo prevê um cartão semelhante ao de débito, que poderá ser utilizado por pais e responsáveis na compra de itens como cadernos, lápis, borrachas e mochilas.

As compras deverão respeitar uma relação de produtos autorizados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc). A iniciativa pretende complementar os kits escolares já distribuídos pelo governo, oferecendo às famílias mais liberdade para escolher os materiais necessários durante o ano letivo.

Incentivo ao comércio local

O deputado Diego Guimarães defende a descentralização das compras públicas como forma de manter os recursos nos próprios municípios. Segundo o parlamentar, o cartão poderá ampliar as oportunidades para pequenas papelarias, gerar empregos e aumentar a circulação de renda no comércio regional.

O deputado também questiona a concentração das aquisições em grandes fornecedores, modelo que, em sua avaliação, reduz a participação de comerciantes locais no fornecimento de materiais escolares.

Ao defender a proposta, Guimarães destacou que o sistema daria autonomia aos responsáveis para comprar os produtos em estabelecimentos dos bairros e das regiões centrais das cidades. A expectativa é que parte dos recursos destinados à educação permaneça na economia local, contribuindo também para a arrecadação de impostos.

Apoio do setor produtivo

A proposta conta com o apoio de entidades ligadas ao comércio, entre elas a Federação das Associações Comerciais de Mato Grosso (Facmat), a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) e o Sindicato dos Representantes Comerciais.

Durante a discussão do projeto, Diego Guimarães também sugeriu à Seduc o aproveitamento da estrutura tecnológica do cartão Ser Família. A ideia é facilitar o credenciamento das papelarias e contribuir para a implantação do benefício.

O parlamentar afirma que a medida pode ajudar os pequenos comerciantes a enfrentar a concorrência de grandes plataformas de vendas pela internet, ao mesmo tempo que amplia as opções de compra para pais e estudantes.

O que falta para o benefício entrar em vigor

Apesar da aprovação em segunda votação pela ALMT, o Cartão Material Escolar ainda depende da sanção do governo estadual. Caso seja sancionado, o projeto precisará de regulamentação para estabelecer os valores do auxílio, os critérios para concessão e as regras de funcionamento.

Essas definições deverão esclarecer como as famílias terão acesso ao recurso, quais estabelecimentos poderão participar e quais procedimentos serão adotados para as compras. Até que essas etapas sejam concluídas, não há confirmação dos valores individuais nem do calendário de implementação do benefício.

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