A quarta parte de Lupin começa com roubos misteriosos, provas digitais suspeitas e uma nova pessoa capaz de reproduzir os métodos de Assane Diop. Ao longo dos oito episódios, lançados em 23 de outubro de 2026, a série francesa da Netflix conecta esses acontecimentos a segredos familiares que transformam o significado de várias cenas.
O retorno de personagens do passado, a disputa pelas Joias da Coroa Francesa e a decisão de Raoul conduzem a história a um desfecho marcado por uma traição inesperada. Os detalhes da trama também revelam como a identidade de Assane pode ser usada contra ele e como as ausências do protagonista afetam seus filhos.
Atenção: o texto contém spoilers de todos os episódios da Parte 4 de Lupin, incluindo o final. Os acontecimentos apresentados foram confrontados com o resumo oficial publicado pelo Netflix Tudum em 23 de outubro. As interpretações sobre o significado das cenas são análises da narrativa.
1. A gravação que incrimina Assane esconde uma fraude
Mesmo preso, Assane Diop, interpretado por Omar Sy, torna-se o principal suspeito de uma série de roubos a museus franceses. Um anúncio atribuído a Lupin prevê os crimes, e uma câmera registra uma pessoa com a aparência do protagonista em um dos locais atacados.
O problema é que Assane ainda está na prisão e tem um álibi. A contradição ganha sentido quando a história revela a participação de Adèle Kapoor, interpretada por Laïka Blanc-Francard. Ela utiliza recursos digitais, incluindo deepfakes, para reproduzir o rosto e a identidade do ladrão.
A gravação, que parecia comprovar a presença de Assane, passa a ser uma peça de uma armação. A série mostra como vídeos e imagens convincentes podem ser manipulados para sustentar uma versão falsa dos acontecimentos. A fraude obriga o protagonista a fugir antes de cumprir toda a pena para descobrir quem está usando sua identidade.
O momento também cria uma ironia: quando Assane pretende deixar para trás a vida de disfarces, precisa voltar à ação para provar que outra pessoa está imitando seus métodos.
2. Adèle adapta os golpes de Lupin à era digital
Os planos de Assane sempre dependeram da observação, da preparação e da capacidade de enganar a percepção dos adversários. Ele estuda rotinas, assume identidades e cria situações nas quais as pessoas enxergam aquilo que ele deseja mostrar.
Adèle segue uma lógica semelhante, mas combina os truques tradicionais com ferramentas tecnológicas. Drones, hologramas, invasões de sistemas e falsificações digitais ajudam a sustentar suas encenações e a confundir investigadores.
A diferença é importante: um disfarce convencional precisa convencer quem está diante do criminoso. Uma fraude digital também pode enganar quem consulta gravações e outros registros depois do acontecimento. Dessa forma, a tecnologia amplia o alcance dos golpes e dificulta a verificação dos fatos.
Após a revelação, a semelhança entre os dois fica mais clara. Adèle não está apenas reproduzindo os truques de Lupin. Ela usa essa linguagem para provocar Assane e chamar sua atenção, transformando a imitação em parte de um plano pessoal.
3. Os primeiros roubos servem como isca
A sequência de ataques a museus leva o público a procurar uma explicação financeira para os crimes. No entanto, o objetivo inicial não é simplesmente obter peças valiosas. Os roubos também funcionam como uma provocação destinada a tirar Assane da prisão e colocá-lo no caminho de quem está reproduzindo sua identidade.
A motivação se torna mais compreensível quando a história revela que Adèle queria encontrar o pai. A jovem organiza uma situação capaz de despertar a atenção de alguém conhecido por planejar golpes elaborados e responder a desafios públicos.
Esse objetivo ajuda a separar duas etapas da trama. Primeiro, Adèle cria uma crise que obriga Assane a investigar a fraude. Depois, o plano envolvendo as Joias da Coroa Francesa amplia o conflito e aproxima os personagens de uma disputa muito maior.
Se os acontecimentos iniciais forem interpretados apenas como uma tentativa de enriquecimento, parte da motivação da personagem passa despercebida. O reencontro familiar é uma das peças centrais da história.
4. O passado de Adèle revela uma ligação com os Pellegrini
Uma das revelações mais importantes da temporada é o parentesco de Adèle. Ela é filha de Assane e Juliette Pellegrini, personagem interpretada por Clotilde Hesme, que teve um relacionamento com o protagonista na juventude.
Depois do nascimento da menina, Hubert Pellegrini, pai de Juliette e interpretado por Hervé Pierre, enviou a criança para um orfanato na Inglaterra. Já adulta, Adèle decide procurar suas origens, e essa busca ajuda a explicar por que ela escolhe uma estratégia tão arriscada para chegar até Assane.
A revelação muda o significado da rivalidade. O protagonista deixa de enfrentar apenas uma imitadora e descobre que tem uma filha cuja existência desconhecia. Para Adèle, o confronto também representa uma tentativa de recuperar uma ligação familiar que lhe foi negada.
O parentesco amplia ainda mais o conflito: Adèle e Raoul são meio-irmãos por parte de pai, enquanto Hubert é avô materno dela. O antigo inimigo de Assane passa, assim, a ocupar uma posição direta na história de sua família.
5. Juliette participa do plano pelas Joias da Coroa Francesa
Juliette não aparece apenas como uma antiga paixão de Assane. Ela também está ligada à operação que envolve as Joias da Coroa Francesa, mantidas por um grupo de pessoas ricas que se apresentam como guardiãs do tesouro.
Segundo o resumo oficial da Netflix, esse grupo pretende conservar as peças para si, enquanto Juliette quer retirá-las de seu controle. A disputa dá uma nova dimensão aos roubos e aproxima os interesses da personagem dos planos que envolvem Adèle.
Assane acaba colaborando com mãe e filha na tentativa de reunir as joias. A partir daí, os guardiões deixam de ser apenas figuras ligadas à riqueza e passam a representar uma ameaça direta aos envolvidos na operação.
O conflito retoma um dos temas recorrentes de Lupin: a relação entre dinheiro, poder e segredos familiares. Dessa vez, o passado de Juliette não serve apenas para explicar sua ligação com Assane. Ele também ajuda a definir o objetivo dos novos golpes.
6. Raoul empurrou Belkacem para proteger o pai
O ataque à capitã Sofia Belkacem, interpretada por Shirine Boutella, parece inicialmente ligado apenas à fraude de identidade. Entretanto, a investigação conduzida após a policial sair do coma revela uma participação inesperada.
Belkacem e Youssef Guédira, personagem de Soufiane Guerrab, reconstituem os acontecimentos e encontram uma pista que leva a Raoul. O jovem havia ido ao museu para descobrir quem estava se passando por Assane.
Ao ver a policial apontar a arma para o falso Lupin, Raoul reage por impulso e a empurra. Ele acredita estar protegendo o pai, sem compreender plenamente as consequências de sua atitude. Adèle criou a situação que levou todos ao museu, mas foi Raoul quem empurrou a capitã.
A cena também revela a contradição na relação entre pai e filho. Mesmo magoado com as ausências de Assane, Raoul ainda se arrisca para defendê-lo. Seu comportamento mostra que o ressentimento não eliminou o vínculo afetivo, embora a relação esteja cada vez mais desgastada.
7. A traição de Raoul nasce de anos de ressentimento
No oitavo episódio, Assane acredita que precisa entregar as joias para salvar Raoul e Adèle, supostamente sequestrados pelos guardiões. A situação, porém, faz parte de uma armadilha. O protagonista descobre que o próprio filho simulou o sequestro para atraí-lo.
A revelação mais surpreendente é a aliança de Raoul com Hubert Pellegrini, que conseguiu escapar da prisão na Malásia e se juntou aos guardiões. A escolha do jovem tem relação com anos de frustração diante das decisões do pai.
Raoul sente que Assane priorizou os golpes e os próprios planos em detrimento da família. A promessa de uma viagem ao Senegal volta a ser adiada, aumentando sua mágoa. A chegada de Adèle intensifica o conflito, pois o rapaz percebe demonstrações de afeto do pai pela irmã que acredita não ter recebido durante a própria infância.
O contraste entre os dois filhos ajuda a entender a decisão. Adèle procura o pai que nunca conheceu, enquanto Raoul se afasta do pai que considera ausente. Ambos buscam reconhecimento, mas respondem à mesma necessidade de maneiras opostas.
Na sequência final, Raoul embarca em um helicóptero com Pellegrini. Quando a polícia aponta suas armas para a aeronave, Assane se coloca na linha de tiro para proteger o filho e acaba baleado. Claire, Benjamin, Adèle e Juliette tentam socorrê-lo, mas a temporada termina sem confirmar se ele sobrevive.
O que o final muda na interpretação de Lupin 4?
Os sete detalhes mostram que a temporada não trata apenas de roubos e falsificações. A trama começa com alguém usando a identidade de Assane contra ele e termina colocando em dúvida a imagem que o protagonista construiu como pai.
As gravações podem ser manipuladas, os roubos podem servir como distração e os disfarces podem enganar até investigadores experientes. No entanto, esses recursos não resolvem o ressentimento acumulado por Raoul. A crise familiar se torna um problema que Assane não consegue solucionar apenas com inteligência e planejamento.
Outras mudanças reforçam essa transformação. Claire e Benjamin agora formam um casal, consequência dos anos em que Assane esteve preso. Raoul também aparece mais velho, interpretado por Théo Christine, substituindo Etan Simon, que viveu o personagem nas partes anteriores.
O desfecho deixa o destino de Assane em aberto. A cena do tiro não confirma sua morte, assim como o encerramento da temporada não garante uma continuação. A incerteza funciona como parte do suspense e mantém o foco nas consequências da decisão de proteger o filho.
Onde assistir: a Parte 4 de Lupin está disponível na Netflix desde 23 de outubro de 2026. O resumo oficial do Netflix Tudum apresenta as principais reviravoltas, enquanto o guia de elenco da plataforma reúne informações sobre os personagens da temporada.
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