A reta final das eleições presidenciais de 2026 foi marcada por um intenso imbróglio envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e a Igreja Católica. Após a circulação de boatos nas redes sociais associando sua campanha a uma suposta intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, Flávio negou a desinformação e acusou o PT e integrantes da CNBB de fomentarem a fake news. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repudiou a acusação. No epicentro histórico da polêmica está o ex-deputado federal por Mato Grosso Victório Galli (PP), autor de um projeto arquivado em 2008 sobre o tema, que acabou ficando como suplente nas urnas deste ano.
A religião ganhou espaço central no debate político dos últimos dias de campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O centro da controvérsia envolveu o candidato Flávio Bolsonaro (PL), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a repercussão de um antigo projeto de lei ligado à política de Mato Grosso.
A origem do boato e a repercussão nacional
O atrito ganhou força após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes na GloboNews, que mencionou uma reação da Igreja Católica a propostas ligadas ao tema, sem vincular a iniciativa a Flávio Bolsonaro. Posteriormente, o trecho passou a ser compartilhado nas redes sociais por perfis críticos ao candidato bolsonarista, associando-o ao risco de remoção do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país.
Em resposta, Flávio negou veementemente qualquer intenção de mexer na honraria da santa católica e disparou acusações contra adversários e setores eclesiásticos:
“A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu. Não tem projeto. Não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB”, afirmou o senador em ato de campanha.
A CNBB reagiu de forma imediata por meio de nota oficial, rechaçando qualquer envolvimento na disseminação de desinformação e cobrando provas do candidato: “A mentira não se combate com outra mentira”, declarou a instituição.
A conexão com Mato Grosso: O papel de Victório Galli
O debate nacional acabou esbarrando diretamente na cena política de Mato Grosso. O boato recuperou a tramitação de uma proposta legislativa apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (na época no PMDB-MT, atualmente no PP-MT).
O texto original de Galli sugeria alterar a referência legal de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta, contudo, foi amplamente debatida e arquivada ainda em 2008.
Questionado recentemente pela imprensa, Galli defendeu a legitimidade de sua antiga atuação parlamentar, argumentando que a Câmara dos Deputados é o espaço legítimo para debates e apresentação de matérias. Nas urnas das eleições de 2026 em Mato Grosso, Victório Galli concorreu a uma vaga na Câmara dos Federais pelo PP, obtendo 12.454 votos, resultado que o deixou na condição de suplente.
O contexto político e o peso religioso nas urnas
Analistas políticos apontam que o episódio acirra a tensão em um país onde a polarização religiosa tem ganhado espaço desde o pleito de 2018. Embora a bancada evangélica represente uma fatia expressiva da base de apoio do bolsonarismo, o Brasil mantém demograficamente uma maioria católica (56,7% da população, conforme o Censo de 2022, frente a 26,9% de evangélicos).
A CNBB reiterou em suas diretrizes oficiais que a instituição é apartidária e não endossa candidaturas ou partidos políticos, focando suas pautas na defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social — bandeiras que têm gerado manifestações de bispos e arcebispos em prol do bem comum e do combate à pobreza na reta final da disputa eleitoral de 2026.
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