A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) voltou a negar responsabilidade pela falha de áudio registrada durante a exibição da propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), na segunda-feira (12). Em nota divulgada nesta quinta-feira (15), a empresa afirmou que o problema atingiu igualmente todas as emissoras responsáveis pela transmissão do horário eleitoral gratuito.
O episódio motivou uma representação apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral na terça-feira (13). Na manifestação, Flávio Bolsonaro atribuiu responsabilidades à direção da EBC e solicitou a investigação do ocorrido. No entanto, nesta quinta-feira (15), o Ministério Público Eleitoral se posicionou pelo arquivamento da representação criminal.
EBC explica como ocorreu a falha de áudio
Segundo a EBC, a falha aconteceu durante a exibição da propaganda eleitoral do PL, transmitida às 13h de segunda-feira (12). A empresa sustenta que a operação técnica não estava sob sua responsabilidade, mas a cargo do grupo de emissoras encarregado de distribuir o sinal da propaganda presidencial.
De acordo com a nota, a operação estava sob responsabilidade da TV Senado naquele dia e horário. Já a tarefa de baixar os vídeos disponibilizados pelas campanhas, encaminhá-los à ilha de edição, montar os programas e exportar os arquivos cabia a um editor de vídeo da TV Câmara.
A EBC explicou que o chamado pool de emissoras é formado por empresas de rádio e televisão e organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). A organização desse trabalho segue o artigo 64 da Resolução TSE nº 23.610/2019.
A empresa também mencionou a Resolução TSE nº 23.778/2026, referente ao plano de mídia do segundo turno. Conforme a EBC, cabe ao grupo de emissoras receber os arquivos enviados pelas campanhas e gerar o sinal da propaganda eleitoral distribuído nacionalmente. A divisão das tarefas operacionais é definida pela ABERT.
Ministério Público Eleitoral defende arquivamento
O Ministério Público Eleitoral manifestou-se pelo arquivamento da representação criminal apresentada após o problema técnico. No parecer, o promotor Paulo Roberto Binicheski afirmou que suspeitas relacionadas ao contexto político ou a vínculos institucionais das empresas envolvidas não são suficientes, por si só, para demonstrar a existência de crime intencional.
O representante do Ministério Público também avaliou que falhas acidentais em equipamentos e programas utilizados na transmissão não configuram automaticamente infração penal eleitoral. Para sustentar uma acusação criminal, segundo o parecer, são necessários indícios mínimos de conduta criminosa dolosa.
A manifestação representa o posicionamento do Ministério Público Eleitoral pelo encerramento do caso. O parecer de arquivamento, por si só, não deve ser confundido com uma decisão judicial definitiva.
EBC contesta acusações contra sua presidente
Na nota, a empresa também rebateu as acusações direcionadas à diretora-presidente Antonia Pellegrino, que ocupa o cargo desde abril de 2026. A EBC destacou a trajetória profissional da dirigente, que é roteirista premiada pela Academia Brasileira de Cinema e pela Academia Brasileira de Letras, além de possuir mestrado em Administração Pública.
Segundo a empresa, Pellegrino foi diretora de Conteúdo e Programação entre 2023 e 2026. Nesse período, esteve envolvida em iniciativas relacionadas à TV Brasil, à retomada do programa Sem Censura e à estratégia de cobertura do futebol feminino.
A manifestação também classificou as acusações contra a presidente como uma tentativa de transformar uma falha técnica em perseguição. A empresa argumentou que a desqualificação de uma mulher com base em suas relações pessoais, sem apresentação de provas, pode caracterizar violência política de gênero.
Ao final do comunicado, a EBC reiterou que não participou da operação que resultou na falha de áudio e voltou a negar responsabilidade pelo erro ocorrido durante a exibição da propaganda eleitoral.
Fonte: Agência Brasil.
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